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União Europeia: mares e oceanos

World Research and Innovation Congress – Oceans

De 15 a 16 de outubro de 2014, no Oceanário de Lisboa.


Toda a vida marítima! Tudo na vida marítima! 
Insinua-se no meu sangue toda essa sedução fina 
E eu cismo indeterminadamente as viagens. 
Ah, as linhas das costas distantes, achatadas pelo horizonte! 
Ah, os cabos, as ilhas, as praias areentas! 
 [...]
Todos os mares, todos os estreitos, todas as baías, todos os golfos, 
Queria apertá-los ao peito, senti-los bem e morrer!

 

Ode Marítima
(Álvaro de Campos, Heterónimo de Fernando Pessoa)

 


 

World Research and Innovation Congress – Oceans

 

 

Portugal será o país anfitrião do próximo Congresso Mundial de Investigação e Inovação dedicado aos Oceanos a realizar de 15 a 16 de outubro de 2014, no Oceanário de Lisboa. A importância e interesse crescente na área marítima quer a nível nacional quer a nível europeu levou o Centro de Informação Europeia Jacques Delors a associar-se a este evento que irá reunir a comunidade científica marinha, as agências de financiamento, os decisores políticos, ONGs e outras partes interessadas para discutir as questões centrais na investigação sobre os oceanos.

 

Para Portugal a área marítima é crucial nas suas diferentes dimensões –  política, económica, ambiental, cultural e securitária. Como refere Manuel Lobo Antunes  “A Importância que o mar pode representar para Portugal advém não só da dimensão dos seus espaços marítimos, onde se inclui a plataforma continental, mas também da sua qualidade, nomeadamente no que se refere à vasta biodiversidade marinha e recursos geológicos, minerais e genéticos nele existentes.”¹


Devido à sua geografia a Europa, desde tempos longínquos, mantém uma relação singular com os mares e oceanos. De acordo com o mapa geográfico da União Europeia, mais de dois terços das fronteiras da União são costas e espaços marítimos. Dos 28 Estados-Membros, 23 têm zonas costeiras, representando mais de 70% das fronteiras externas da União.


A Europa está circundada por quatro mares – Mediterrâneo, Báltico, Mar do Norte, e Mar Negro – e por dois oceanos – Atlântico e Ártico. Não obstante, a UE marca, ainda, presença no oceano Índico e no mar das Caraíbas através das regiões ultraperiféricas.²


Aliado ao fator geográfico, constata-se que cerca de 40% do PIB da UE é gerado nas regiões marítimas e que 75%  do volume do comércio externo da União é efetuado via marítima.  Neste contexto, as questões marítimas são cruciais para a União Europeia e para os seus Estados-Membros. Como referiu José Manuel Durão Barroso³: “Os oceanos e os mares sustentam a vida de centenas de milhões de pessoas, enquanto fonte de alimentos e de energia, via de comércio e de comunicação e elemento de atração recreativa e paisagística para o turismo nas regiões costeiras. Por isso, o seu contributo para a prosperidade económica das gerações presentes e vindouras não pode ser subestimado.”

 


Última atualização: 2014-11-06


 

¹ Ex-Secretário de Estado dos Assuntos Europeus, Revista Europa Novas Fronteias, acedido em https://infoeuropa.eurocid.pt/files/database/000038001-000039000/000038402.pdf

 

² As regiões ultraperiféricas (RUP) englobam o conjunto de territórios dos Estados-Membros que se encontram localizados em zonas do planeta distantes da Europa. São eles: Guadalupe, Guiana Francesa, Reunião, Martinica, Maiote, São Martinho (França), Açores e Madeira (Portugal) e Ilhas Canárias (Espanha).
 
³ Para uma futura política marítima da União: Uma visão europeia para os oceanos e os mares, Comissão Europeia, 2006.