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O Dragão de Wawel

Um conto polaco

Há muito, muito tempo em Cracóvia reinava o sábio rei Krak. O povo vivia em paz e com abundância até que na caverna ao pé de Wawel apareceu um dragão. A besta pavorosa de sete cabeças todos os dias raptava ovelhas e cabras, não menosprezando também as aves domésticas. Não passou muito tempo até que no burgo não houvesse nenhum animal, mas o dragão continuava a exigir mais comida.

“Temos de sacrificar as pessoas?” – perguntavam todos com medo. O rei ordenou que se anunciasse, que quem vencer a besta receberá a metade do reino. De todos os lados vinham os audazes aferrolhados em armaduras, em cima dos magníficos cavalos.

Mas bastava que o dragão bufasse chamas de uma das suas cabeças e era mais um cavaleiro que desaparecia em fedorentas chamas, as quais ninguém conseguia apagar.

Estas lutas mortais foram seguidas por um sapateiro que no fim dirigiu-se ao rei:

- Não sou nenhum cavaleiro, mas sou um homem simples e vou vencer o dragão – disse, quando finalmente foi admitido diante do soberano.

- Tu? Um simples sapateiro? – estranhou o rei Krak – Já morreram muitos excelentes guerreiros, mas se quiseres enfrentar o monstro, dou-te a minha permissão.

Ninguém acreditava que o sapateiro pudesse sobreviver. Os seus vizinhos e amigos aconselharam-no a desistir dessa ideia.

No dia seguinte, o sapateiro foi à aldeia vizinha, onde comprou um borrego. Depois abriu-lhe a barriga, encheu-a com enxofre e alcatrão, e no fim coseu-a perfeitamente com linhol.

De madrugada, deixou a “gulodice” que tinha preparado à entrada da caverna.

O apetitoso cheiro do borrego acordou o dragão, que, com apenas uma dentada, engoliu o animal inteiro.

Mas o que é que é isto? O dragão sentiu uma dor horrível – o enxofre e o alcatrão comecaram a queimá-lo por dentro. Inclinou-se, então, em frente do rio e começou a beber. Bebeu, bebeu, bebeu, até que a sua barriga se encheu como um balão, e explodiu com um grande estrondo.

A multidão, feliz, levou o sapateiro – salvador em ombros para junto do rei. O rei Krak recompensou-o generosamente, mas o sapateiro não abandonou a sua profissão. Durante muitos mais anos fabricou sapatos indestrutíveis, feitos de couro do Dragão.

 

 

Conto gentilmente cedido pela Embaixada da Polónia em Portugal