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O Gato e o Galo

Um conto lituano

Era uma vez um gato e um galo que construíram uma casa linda por baixo de uma árvore grande junto à floresta. Depois da construção terminada, viveram os dois sossegados e felizes.

Um dia, de manhã cedo, alguém bateu à porta. O gato levantou-se da sua cama e perguntou:

- Quem é que está a bater a esta hora?

- Eu sou a raposa, abra a porta, senhor gato. Todo o dia estive no bosque ao pé do lago a procurar os patos, mas não apanhei nem um...

O gato levantou a sua cauda felpuda e respondeu:

- Vai-te embora, raposa desavergonhada, deixa-nos em paz. Tu não me enganas e não apanhas o galo. Vai-te embora. Vai! Eu não te deixo entrar.

A raposa furiosa não se foi embora, só se escondeu atrás das árvores e ficou à espera.

O gato disse ao galo:

- Eu tenho que ir à caça, procurar comida. E tu, galo-cantor, não abras a porta a ninguém. A raposa, ainda, pode estar por perto. Dito isto, o gato foi-se embora com a sua cauda felpuda levantada.

A raposa lambeu os seus lábios e lentamente veio até à casa deles.

- Olá, galo, galinho bonito, de penas coloridas. Toda gente te ama por causa da tua voz muito linda. Ó galo lindo, deixa-me entrar.

- Quem é que está a bater à porta?

- Ó galo de penas coloridas, sou eu, sou eu, a galinha bonita. Eu sei como achar minhocas no jardim. Eu ando no jardim todo dia e à procura de bichinhos.

O galo disse assustado:

- Como é que não tens medo da raposa? Entra, entra, por favor. Eu já vi a raposa hoje.

Mal o galo abriu a porta um pouquinho, a raposa agarrou-o e levou-o, correndo. Ela correu com pressa sem olhar para atrás, e o galo gritou:

- Gato, gatinho, resgata o galo-cantor! A raposa leva-me pelas montanhas altas, pelos campos grandes, pelos relvados verdes, pela floresta densa.

O gato ouviu os gritos, deixou tudo e correu atrás da raposa, apanhou-a e resgatou o seu amigo.

No outro dia o gato disse ao seu companheiro:

- Eu tenho que ir à caça, procurar comida, porque ontem não consegui. E tu, galo-cantor, ficas em casa e não abres a porta a ninguém. E o gato saiu com a sua cauda felpuda levantada.

Mas a raposa desavergonhada já estava outra vez atrás da porta da casa e começou a cantar:

- Ó galo, galinho, de penas bonitas, toda a gente te ama pela tua voz linda. Ó galo, deixa-me entrar.

- Quem está a bater a porta?

- Ó galo de penas coloridas, sou eu, o cão teimoso. Procuro a raposa na floresta.

- Que bom que vieste! E não tens medo de raposa. Entra, entra, por favor, eu tenho medo de ficar sozinho em casa.

Mal o galo abriu a porta um pouquinho, a raposa agarrou-o e levou-o, correndo. Ela correu pelo campo grande com muita pressa e o galo gritou:

- Gato, gatinho, está a tremer a minha crista! A raposa está a tirar as minhas penas, ela leva-me pelas montanhas altas, pelos campos grandes, pelos relvados verdes, pela floresta densa.

O gato ouviu os gritos, deixou tudo e correu atrás da raposa, mas magoou-se no pé e não apanhou a raposa. Andou coxeando pela floresta, apoiando-se num pau, e eis que viu na floresta a cova da raposa. Espreitou para dentro e reparou que lá dentro estava a raposa com seis raposinhas e o galo preso no canto. O gato começou a cantar baixinho:

- No meio da floresta dançam seis raposinhas bonitinhas, e o galo, o sétimo, está preso no moinho de farinha... As seis raposinhas bonitinhas, com os seus rabinhos, são ainda mais bonitas. A velha raposa fez um bolo hoje. Ó raposa querida, dá-me um pedacinho do teu bolo gostoso.

A raposa velha estava a varrer a sala e ouviu a canção:

- Quem é que está aí a cantar? O gato não respondeu, só cantou outra vez a mesma canção. Ela ficou muito curiosa e abriu a porta, e o gato apanhou-a e fechou-a num saco, e voltou para junto da cova e continuou a cantar.

- No meio da floresta dançam seis raposinhas bonitinhas, e o galo, o sétimo, está preso no moinho da farinha...

Saiu uma raposinha para ver quem está a cantar e o gato também a apanhou. Assim continuou até apanhar todas as raposinhas e fechar no saco. E finalmente resgatou o galo.

Agora as raposinhas estão num jardim zoológico. Se não acreditam, peçam aos vossos pais para vos levar a ver as raposas.

 

 

Conto gentimente cedido pela Embaixada da Lituânia em Portugal